Um quinto dos trabalhos acadêmicos analisados tinha um erro

Cientistas culpam Excel por erro em estudos de genética

O Microsoft Excel foi apontado como o culpado por erros identificados em trabalhos acadêmicos sobre genética.
O Microsoft Excel foi apontado como o culpado por erros identificados em trabalhos acadêmicos sobre genética.

Três pesquisadores que assinam um estudo sobre o problema alegam que o software de tabulação converte automaticamente os nomes de certos genes para datas.

Assim, um símbolo do nome de um gene como SEPT2 acabou sendo alterado para “September 2” (2 de setembro, em inglês).

No entanto, a Microsoft afirma que o erro pode ser contornado se o usuário alterar as configurações do programa.

Um quinto dos trabalhos acadêmicos analisados tinha um erro
Um quinto dos trabalhos acadêmicos analisados tinha um erro

“O Excel é capaz de exibir dados e textos de diferentes formas. As configurações-padrão são feitas para serem aplicadas às situações mais comuns”, diz uma porta-voz da companhia à BBC. “O Excel oferece uma grande gama de opções, que se adaptam à forma como dados são representados de acordo com as necessidades específicas de consumidores.”

O estudo ainda afirma que a mesma falha de conversão ocorre com outros programas do gênero, como o Apache OpenOffice Calc. O problema não foi encontrado, no entanto, no Sheets, do Google.

Os pesquisadores afirmam que esse erro foi identificado em “aproximadamente um quinto dos estudos” feitos com base em documentos de Excel. O trio analisou 3.597 trabalhos publicados e encontrou a falha em 704 deles.

“Frustração”

Ewan Birney, diretor do Instituto Europeu de Bioinformática, não acredita que a culpa seja do programa. “O que me deixa frustrado é que os pesquisadores dependam de tabelas de Excel para fazer testes clínicos”, disse ele à BBC.

Birney acrescenta que essa falha é conhecida pela comunidade científica há mais de uma década e recomenda que o software seja usado apenas em “análises científicas superficiais”.

O estudo destaca de fato que essa questão foi identificada pela primeira vez em 2004 e que, desde então, o índice de trabalhos afetados tem crescido “cerca de 15% por ano” nos últimos cinco anos.

Um dos autores do estudo, Assam El-Osta, diz que os erros foram encontrados especificamente em tabelas de dados suplementares de pesquisas acadêmicas.

Ele afirma à BBC que essas tabelas continham “dados de apoio importantes, ricos em informação” e que consertar os erros é uma tarefa que “consome bastante tempo”.

Fonte: BBC Brasil